Além do Hype da IA
Em fevereiro de 2026, uma avalanche desceu sobre uma estação de esqui nos Alpes italianos. Quase ninguém foi pego pela avalanche, foram pegos pelo tempo que levaram para reagir. É exatamente o que está acontecendo com a Inteligência Artificial dentro das empresas.
Esta palestra separa o que a IA de fato muda no trabalho do que apenas parece mudar. Parte de 45 anos de dados sobre desemprego e ondas tecnológicas no Brasil para mostrar que nenhuma tecnologia jamais destruiu o trabalho — todas trocaram quem era contratado. Em seguida expõe a conta do hype, as empresas investem, declaram usar IA todos os dias e, na maioria, não conseguem mostrar onde o ganho aparece no resultado.
O ponto de virada é um exercício feito com a plateia. Atividades reais de uma atividade profissional classificadas ao vivo em três destinos — o que a IA pode assumir, o que ela pode potencializar e o que permanece necessariamente humano. O resultado desmonta a narrativa da substituição e instala outra, mais útil: nada desaparece, tudo é realocado, e alguém precisa decidir essa realocação.
A palestra fecha com o perfil que o mercado está de fato contratando. No quadrante das competências centrais em 2030, apenas uma é técnica; todas as outras são de julgamento, relação e desenho de processo. A mensagem final é direta: estude a tecnologia, mas seja especialista em processos e pessoas — seja um arquiteto.