Doni Fernandes
Doni Fernandes
Aos 17 anos, eu já mostrava minha força como o maior vendedor da rede Droga Raia. Sou autodidata em marketing, mas a vida logo me exigiu uma formação muito mais dura: ser especialista em sobrevivência. Há 40 anos convivo com a síndrome do pânico. Nos sete primeiros anos, caminhei no absoluto escuro, sem diagnóstico ou respostas médicas, enfrentando crises diárias devastadoras. Fui paciente em testes experimentais de medicamentos no Hospital das Clínicas. Em meio a um sofrimento tão profundo, onde a morte parecia um alívio, escolhi lutar. Estudei sozinho e empreendi. Nas idas a hospitais, caminhando com meu pai enquanto eu tremia e sufocava, o destino me apresentou a força que equilibraria minha vida. Numa manhã difícil, vi uma garota de 17 anos no ponto de ônibus. Naquele instante, o medo deu uma trégua inédita e o terror recuou para dar espaço ao amor. Apaixonei-me. Casamos, construímos uma vida, tivemos filho e neto. Essa jovem imergiu comigo na minha dolorosa saga. Às vezes o arrependimento me visita, sabendo que ela restringiu os próprios sonhos para ser meu porto seguro. Cada passo ousado foi dado com seu apoio. Mesmo quando o corpo não respondia, minha mente fervilhava em criar. Fui pioneiro no cenário digital brasileiro: criei o cadenoabc.com.br, o primeiro portal de busca regional do país, parceiro do UOL. Mais tarde, idealizei uma plataforma de vídeos nos moldes do YouTube, antes de os americanos lançarem a ideia globalmente. Um projeto visionário que não avançou porque o país não conhecia a banda larga. O pânico cobrou seu preço. Perdi reuniões, deixei de ganhar dinheiro e voltei à estaca zero várias vezes porque o medo me impedia de sair de casa. Hoje, sei que o verdadeiro luxo é a autonomia: ir e vir sem a imposição do medo. Cunhei minha máxima: “Se podes ir à esquina, podes ir à China. Na Revista República, no República Podcast e no Instituto RP8, tenho orgulho de ser o dono do meu destino e inspirar o mundo.