Startups: Oportunidade e Ameaça!

Startups: Oportunidade e Ameaça!

Autor: Palestrante Carlos Mira

Como as novas empresas de tecnologia podem conceitualmente atualizar as empresas do setor ou ameaçar seus modelos de negócios.

A palavra empreendedorismo apenas recentemente entrou de fato no vocabulário dos executivos brasileiros.

Há 15 ou 20 anos, o termo era usado apenas em raros os casos onde um empresário com muito esforço e alguma sorte conseguia ter sucesso no mundo dos negócios. Mas este termo, no entanto, hoje define uma metodologia científica e técnica para se descobrir novos modelos de negócios e para se criar soluções inovadores – em todos os setores da economia mundial.

Empreendedores visionários que se apoderam das mais recentes tecnologias, aliado a muito estudo e perseverança criam novas empresas dispostas a ‘destroçar’ as companhias tradicionais.

Aí surgem as ‘startups’ – empresas nascentes que buscam um modelo de negócio repetível e escalável e que trabalham em condições de extrema incerteza.

O setor de transporte e logística sempre assistiu passivamente os grandes provedores de tecnologia trazerem seus inventos e proverem a atualização tecnológica necessária ao setor. Novidades como o sistema de ‘rastreamento de veículos por via de satélite’ foi trazido ao Brasil pela Qualcomm na década de 80 e tomado posse por grandes operadores de transporte no Brasil – que prontamente se ‘atualizaram’ tecnologicamente.

No entanto, o advento das novas tecnologias de mobilidade providas pelos smartphones e suas maravilhosas aplicações não se concentram em grandes fornecedores que poderiam, como num passe de mágica, em troca de um punhado de dólares, atualizar as transportadoras e operadores de logística tradicionais.

O momento sugere que as corporações estabelecidas criem um canal dinâmico e nada burocrático (tipo um ‘fast track’) para o relacionamento com as startups no seu segmento, objetivando provar – rapidamente, o novo conceito sugerido pro estas empresas nascentes e seus modelos de negócios ‘diferentões’. Que os teenagers trajando bermudas, com peles tatuadas e com ‘argolas penduradas no nariz’ invadam as empresas tradicionais e que possam propor mudanças radicais na forma de trabalho e na maneira de se fazer dinheiro com logística e transportes.

Esta é a fórmula contemporânea para se atualizar tecnologicamente uma empresa tradicional: Fazer parcerias com as startups. Prove do novo conceito. Não tenha vergonha de errar e erre rápido. Se não funcionar, “valeu”! Parta pra próxima possibilidade.

Isto por que as novas ferramentas de mobilidade e comunicação instantânea providas por um ‘telefone celular inteligente’ tem se dado através de milhares de startups espalhadas pelo mundo – que estão criando modelos de negócios ‘disruptivos’ em toda parte. Caso as startups não sejam parceiras das empresas já estabelecidas, não se darão por vencidas e naturalmente avançarão como um ‘tsunami’ para cima das empresas tradicionais.

Pois senão vejamos: Até outro dia, por exemplo, a LOGGI – uma empresa ‘nascente’, não passava de uma pequena empresa de entregas da cidade de São Paulo que conectava motoboys autônomos através de um aplicativo para smartphones. Hoje, esta startup caminha a passos largos para se tornar – nos próximos 5 anos, a maior transportadora de encomendas do Brasil – após captar US$ 100 milhões em investimentos junto ao Softbank.

A Rappi, outro exemplo muito interessante de startup que está entrando silenciosamente no setor de transportes e que faz ‘delivery de tudo’, recentemente levantou a bagatela de US$ 1 bilhão de investimentos com o objetivo de criar uma nova experiência de compra aos seus usuários. Por sua vez, a AVON – que anunciou estar avançando muito rapidamente com seu processo de transformação digital, anunciou a contratação da Rappi para que seja seu provedor de transportes de última milha.

No passado, respeitadas eram as grandes corporações que poderiam entrar no Brasil, consolidar o espaço e dominar o mercado. Hoje, temidas deveriam ser as startups que – como um enxame de abelhas, estão ‘atacando’ por toda parte, criando modelos de negócios que eliminam atravessadores e inventando novas e surpreendentes experiências aos seus usuários.

Do outro lado da mesa estão os contratantes de fretes e de serviços de logística – que estão sendo pressionados por seus consumidores para que criem novas e melhores experiências de compra e de atendimento.

Neste contexto, serão raras as transportadoras e operadores logísticos tradicionais que terão ‘sapiência’ o suficiente para matar o seu atual modelo de negócios e para criar novas e brilhantes soluções para a prestação de seus serviços, objetivando assim continuar existindo e acompanhar o processo de transformação digital radical ao qual a indústria e o comércio estão atualmente se submetendo.

Mas isso não é um privilégio do setor de transportes, não. Basta ‘dar um Google’ no termo ‘unblunding automobile’ ou ‘unbundling Bank’ para se encontrar figuras que ilustram claramente que a luta no mundo dos negócios hoje não é mais entre o elefante e o rinoceronte – dois dos maiores animais da natureza (figura anexada CB Insights). Nas ilustrações estarão representadas as startups e seu enxame ‘beliscando’ milhares de pedacinhos dos negócios das grandes corporações.

Empreender hoje é um ‘esporte nacional’. Praticamente nenhum aluno universitário quer mais se formar e para tornar executivo em uma grande empresa. Preferem até deixar os bancos universitários e partir para o ”maravilhoso mundo da criação de valor e da incerteza comercial”.

Bom, amigo, a dica é:
Uberize-se ou seja Kodakeado!

Forte abraço

CARLOS MIRA
Economista, Empresário e Palestrante