O Minha Casa, Minha Vida Nem Sempre é Bom Negócio

O Minha Casa, Minha Vida Nem Sempre é Bom Negócio

Autor: Palestrante Samy Dana

A notícia do aumento do limite de renda para beneficiários do programa “Minha Casa, Minha Vida” deixou muita gente animada – tendo em vista que as condições de financiamento do programa do governo costumam ser melhores do que o crédito concedido no mercado. A partir de agora, pessoas com renda familiar até R$ 9 mil podem ser beneficiárias do programa. No entanto, é preciso se atentar para alguns detalhes antes de fechar algum negócio.

O valor do teto de imóveis do programa “Minha Casa, Minha Vida” subiu de R$ 225 mil para R$ 240 mil. Nas principais capitais do país e em grandes cidades, o efeito é pequeno já que não temos muitos apartamentos custando menos de R$ 300 mil.

Ainda que o programa ofereça condições de financiamento favoráveis para alguns, é preciso ter em mente que um bom negócio é definido pela combinação entre preço e condições de pagamento. Ou seja, não adianta oferecer um bom financiamento se o valor final do produto for caro.

Para que fique mais claro, imagine que o convido para um financiamento de um carro popular em 100 vezes sem juros. Muita gente poderia imaginar ser um bom negócio. No entanto, se eu disser que o valor total desse carro popular é de R$ 80 mil, o interesse pelo financiamento acaba.

Sendo assim, se você se interessou pela notícia do aumento da faixa de renda abrangida pelo programa e pensa em comprar um imóvel, minha dica é para se atentar ao valor final do imóvel. É preciso analisar o mercado imobiliário da sua cidade e avaliar se os valores dos imóveis financiados pelo programa estão realmente compatíveis com a realidade de mercado da sua região, ou se estão caros.

Para os imóveis de valor mais baixo – abrangidos pela faixa 1 – também vale o alerta para a qualidade dos imóveis. Levantamento divulgado recentemente, após fiscalização do Ministério da Transparência, apontou que quase metade dos imóveis dessa faixa estão com algum tipo de problema, entre infiltrações, vazamentos, trincas e fissuras.

Ainda que as condições de pagamento sejam muito boas, um bom negócio ainda depende de um bom preço e boa qualidade.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/blog/samy-dana/post/o-minha-casa-minha-vida-nem-sempre-e-bom-negocio.html

SAMY DANA
Professor, Comentarista, Escritor e Palestrante