Não Pense numa Maçã

Não Pense numa Maçã

Autor: Palestrante Rogério Castilho

A Programação Neurolinguística (PNL) ensina, entre outras coisas, que se deve pensar e dizer aquilo que se quer, e não o contrário disso. O foco deve estar sempre no positivo, mas distanciando-se do “pensamento positivo” – que também ajuda, mas não resolve. Positivo, neste caso, é efetivamente: qual o objetivo.

Quando Richard Bandler, co-criador da PNL, foi estudar psicologia, percebeu que as técnicas, métodos e procedimentos estavam voltados a explicar porque as pessoas não funcionam. Felizmente esta constatação o estimulou a investir sua curiosidade no contrário, nas pessoas que efetivamente funcionam melhor. A parceria com John Grinder o levou a estudar os estados de excelência dos grandes realizadores em diversos campos. Todos, invariavelmente, focavam no que queriam, e não no contrário.

Materialização de objetivos

As linguagens verbal e escrita, embora representem apenas 7% da comunicação, têm grande importância no processo de obtenção de objetivos. Isso porque representam a materialização da representação interna.

Segundo a Gramática Transformacional de Noam Chomsky, o que é falado ou escrito compõe a Estrutura Superficial, que é a expressão dos pensamentos, conceitos e ideias, que, por sua vez, formam a Estrutura Profunda. Ou seja, nossas palavras indicam um universo interno rico (ou pobre).

Como bem coloca Anthony Robbins, no livro “Desperte o Gigante Interior”: “As pessoas com vocabulário empobrecido levam uma vida emocional empobrecida. As pessoas com um vocabulário rico possuem uma palheta multicolorida para pintar suas experiências, não apenas para os outros, mas também para si mesmas. Apenas pela mudança de seu vocabulário habitual – as palavras que você usa sistematicamente para descrever emoções de sua vida –, você pode no mesmo instante mudar como pensa, sente e vive”.

Eis aqui a chave para proporcionar a si mesmo experiências internas e externas mais positivas e enriquecedoras: “Uma seleção eficaz de palavras para descrever a experiência de nossas vidas pode expandir nossas emoções mais fortalecedoras. Uma seleção de palavras inferior pode nos destruir com a mesma certeza e rapidez. As pessoas fazem opções inconscientes nas palavras que usam. Avançamos como sonâmbulos pelo labirinto de possibilidades à nossa disposição: compreenda agora o poder que suas palavras comandam se apenas as escolher com sensatez”.

Comunicação objetiva

Parece simples – e é! Os resultados positivos na expressão verbal e escrita dependerão exclusivamente de uma sistemática busca pela comunicação objetiva. A repetição é a mãe do aprendizado. Vou repetir: a repetição é a mãe do aprendizado. Se você ainda não expressa seus pensamentos de forma positiva, pode começar a fazer isso agora mesmo. Faça uma lista de objetivos, em diversas áreas da sua vida: pessoal, profissional, financeira, amorosa, saúde, relacionamentos, etc.

  • O que você quer para cada uma delas, no curto, médio e longo prazo? Escreva livremente.
  • Depois, analise com atenção sua Estrutura Superficial. Por meio dela, pode-se mudar seu conteúdo interno, se não estiver.
  • Mude suas palavras para o modo afirmativo e positivo.
  • Repita-as tantas vezes quantas forem necessárias até que passem a fazer parte de sua Estrutura Profunda.

Lembro-me quando minha mulher pediu para ir ao supermercado e disse o que eu precisava comprar: “detergente, açúcar, ovos, azeite, limão, sabão em pó, arroz e carne. Ah, não esquece o sal!”. Eu trouxe tudo, menos o sal. Meu cérebro registrou alguma coisa como: “Ah, não… esquece o sal”.

O ideal a se dizer numa ocasião dessas é: “lembre-se do sal”, porque é efetivamente isso que se deseja. Lembre-se disso: esqueça o “não esqueça” e lembre-se do “lembre-se”. Sua linguagem será mais efetiva, e seus resultados também.

Nós, humanos, somos animais linguísticos. Estamos nos comunicando todo o tempo, com os outros e conosco. O resultado dessa comunicação está diretamente ligado à qualidade do conteúdo.

Imagine-se indo a um restaurante e dizendo ao garçom: “Eu não quero arroz, nem macarrão. Não gosto de carne crua, nem de nada muito condimentado. Não suporto cheiro de cebola e não estou a fim de comer nada muito quente”. Pode ser o melhor restaurante do mundo, que o garçom não te servirá nada. Ou, pior, trará o que ele considerar como bom e saboroso.

Este restaurante é a Vida. Seja específico nos seus pedidos ou ficará com fome. Seja objetivo nos seus pedidos ou terá que se contentar com o que os outros acham que você quer. Seja positivo no sentido de desejar, pedir e esperar exatamente o que mais gosta. De minha parte, vou saborear um salmão grelhado com alcaparras e arroz branco bem soltinho. Está servido?!

Agora volte ao título deste texto e responda: é verde ou vermelha?!

Quando se diz o que não se quer, o resultado é exatamente o contrário do que se deseja. Se eu efetivamente quisesse que você não pensasse numa maçã, teria escrito “pense numa banana”, ou numa pera, melancia, uva, kiwi, goiaba…

ROGÉRIO CASTILHO
Professor e Palestrante