Lutar por Aquilo que Vale a Pena

Lutar por Aquilo que Vale a Pena

Autor: Palestrante Fabrício Carpinejar

Você briga com o seu marido ou esposa por quais motivos? Por ciúme? Por sair ou não sair com amigos? Por falta de atenção? Por não ter aquilo que sonhava? Pelo futebol da semana? Pela intrusão da sogra em sua história?

Casais se desentendem por bobagens. Podem se distanciar por trivialidades. Amam-se, mas ocupam a maior parte da rotina se diminuindo e pressionando o parceiro ou parceira a adotar as atitudes desejadas. A companhia é obrigada a entrar forçosamente numa forma. É como um pé 40 precisando calçar 38.

Se ele é mais silencioso, deve ser mais sociável. Se ela é explosiva, deve se controlar mais. Se ele é desorganizado, deve guardar as suas roupas. Se ela é meticulosa, deve aguentar a pia suja no final de semana. As exigências absurdas não têm fim. Parece que a relação só desfruta de sentido mudando o par, indo contra a natureza do par.

Inventam problemas, criam obstáculos, não há motivos para os conflitos. Não enfrentaram nenhuma grande dor para entender o que é sofrer de verdade. Não perderam um filho, não estão com uma doença terminal, não têm os dias contados, não entraram em depressão, não sacrificaram os cabelos na quimioterapia, não arcaram com o luto dos pais.

São crianças mimadas, que não brincam com aquilo que são, que teimam em cobiçar e possuir o brinquedo de seu coleguinha.

Há de se fazer a pergunta: qual o inimigo do seu amor? Se não existe inimigo real e perigoso, que não gaste o tempo com picuinhas. Se não existe nada que possa separá-los, que aproveite a intimidade, que explore a felicidade do momento. Que não estrague a saúde com estremecimentos desnecessários. Que não forje separações à toa. Que não chantageie por fantasias. Que se preparem para lutar juntos contra as adversidades quando surgirem, jamais desperdicem o dom da união lutando um contra o outro antes das provações da vida.

Esquecem que encontrar alguém que se goste, que desperte a taquicardia, que provoque a saudade, capaz de partilhar afinidades e memórias inimagináveis, é raro, um milagre na loteria da multidão.

Não há nada mais triste do que se separar sem motivo. É prova de absoluto egoísmo com a sorte do amor.

Fonte: http://carpinejar.blogspot.com/

FABRÍCIO CARPINEJAR
Escritor, Jornalista, Poeta e Palestrante