Estratégias para o Combate ao Terrorismo

Estratégias para o Combate ao Terrorismo

Autor: Palestrante Diógenes Lucca

Os recentes atentados terroristas ocorridos na Europa e nos Estados Unidos colocam o mundo em estado de alerta. Esses ataques representam apenas a “ponta do iceberg”, haja vista que dados do Instituto de Contraterrorismo de Israel apontam um crescimento na ordem de 61% do número de atentados terroristas nos últimos 15 anos. O assunto ganha destaque pelas sucessivas ações em curto espaço de tempo e, sobretudo, pela modalidade denominada “lobos solitários” e suas formas inusitadas de ataque.

Existem duas classes de medidas para o combate ao terrorismo. A primeira denomina-se medidas antiterrorismo que compreendem todas aquelas que são adotadas antes que o ato terrorista ocorra. A outra são as medidas denominadas contraterrorismo que são aquelas adotadas como pronta resposta após o ato terrorista com o objetivo de prender ou neutralizar os terroristas, preservar a vida das vítimas em potencial e reestabelecer o retorno à normalidade do cenário alvo.

Pode-se dizer que o Brasil fez grandes avanços nas medidas contraterrorismo. Boa parte das Tropas Especiais é formada com conteúdo sobre o tema, os treinamentos táticos evoluíram muito com as melhores práticas adotadas nas Tropas de Elite do mundo. Há muitos Esquadrões de Bomba nas Polícias Estaduais com os recursos suficientes para lidar a contento contra as ações terroristas que utilizam explosivos e as Tropas Especiais das Forças Armadas evoluíram na capacitação do seu efetivo nas atividades subsidiárias denominadas ações de garantia da lei e da ordem que é quando as Forças Armadas por solicitação dos Governos dos Estados emprestam os seus esforços nas ações de Segurança Pública.

Por outro lado, as notícias não são tão boas nas medidas denominadas antiterrorismo. Apesar da palavra “integração” ser corriqueira nos discursos das autoridades, o fato é que na prática isto não acontece de forma satisfatória. No que diz respeito aos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro este flanco está vulnerável.

Foi somente no “apagar das luzes” da preparação do país para esse importante evento das Olimpíadas que reunirá centenas de países e os olhares de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo que algumas medidas foram adotadas. É o caso da Lei 13.260 que disciplina o combate ao terrorismo, publicada tardiamente em março de 2016. A população civil não foi envolvida a contento para receber um mínimo de orientação. A vigilância privada que atuará em missões de controle de acesso e vigilância de algumas áreas não foi treinada adequadamente e a contratação das empresas e também dos efetivos foram feitas com procedimentos falhos ou no mínimo questionáveis.

Considerando que as medidas antiterrorismo exigem planejamento e implementação de longo prazo, abrangência de diversos setores de prestação de serviços, em particular funcionários dos diversos modais de transporte, rede hoteleira, vigilância privada e inúmeros outros colaboradores, pode-se dizer que as autoridades brasileiras decidiram assumir um risco elevado e o número recorde na ordem de mais de oitenta mil profissionais de Segurança Pública e membros das Forças Armadas contingenciados para atuarem nos Jogos Olímpicos seguramente visa cobrir um pouco dessa deficiência, mas isto está longe de ser o razoável.

A máxima do filósofo Augusto Comte “prever para prover” não foi seguida como deveria.

Fonte: https://medium.com/@ComandanteLucca/estrategias-para-o-combate-ao-terrorismo-por-diogenes-lucca-84263769c9ab

DIÓGENES LUCCA
Escritor, Professor e Palestrante