Desafios do professor(a) na atualidade: entre o estresse e a resiliência

Desafios do professor(a) na atualidade: entre o estresse e a resiliência

Autora: Palestrante Lilian Medeiros

O trabalho docente vem sendo palco de calorosos debates nas últimas décadas, pois a sua práxis é alvo, constante, de avaliações nacionais- os chamados índices de desempenho dos estudantes. Indubitavelmente, é colocado “em xeque” frente à sociedade, deixando o professor em uma posição ora positiva, ora negativa, frente à esfera social.

O processo de industrialização- no modelo taylorista-fordista- influenciou a escola e o professor à tarefa de executarem as propostas educacionais; tornando-se, dessa maneira, o docente em um tarefeiro, em detrimento do pensar sobre o processo pedagógico. Convém ressaltar que as reformas e propostas oriundas do poder público “vêm alijando o professor das discussões próprias da função” (HAGEMEYER, 2004, p. 70). Assim, este artigo busca analisar o ser professor na contemporaneidade.

Nas últimas décadas, na educação, há uma mudança de modelos fabris para modelos reflexivos e críticos; exigindo investimento no desenvolvimento profissional. Esse termo é utilizado por Marcelo (2009) por acreditar que “ se adequa melhor à concepção do professor, enquanto profissional do ensino […] apresentando uma conotação de evolução e continuidade […] superando a tradicional justaposição entre formação inicial e contínua dos professores”, e reconhecimento da profissão docente que, em décadas passadas, era valorizada pela sociedade, possuidora de prestigio e reconhecida por seu caráter humanizador. Como aponta Candau (2014, p. 34), essa valorização não comungava com condições dignas de trabalho e, muito menos, com bons salários e estímulos para o desenvolvimento profissional. No entanto, inúmeras pessoas almejavam o magistério, mesmo frente às dificuldades que a profissão apresentava, por sua “importância intelectual, ética e social”.

Esse quadro sofreu profundas modificações, agravando-se, no decorrer dos anos, pois além das condições de trabalho precárias não sofrerem alterações significativas em muitos lugares, a profissão perdeu prestígio social. Diante desse olhar, o professor é, constantemente, questionado acerca da sua intelectualidade e capacidade profissional. O enfrentamento a situações de insegurança, violência, estresse, angústia em que os professores estão expostos- no seu cotidiano- geram mal-estar e doenças de todas as ordens. Um estudo realizado por Costa e Silva (2019) apontou que a ansiedade e depressão- entre os docentes da educação infantil e primeiros anos do ensino fundamental- são um dos maiores responsáveis pelo afastamento de professores, acarretando um ônus para a escola que, indubitavelmente, não cumprirá com seu papel na formação de cidadãos. É importante, também, ressaltar que, em São Paulo, 111 professores da rede estadual são afastados por dia em decorrência de transtornos mentais ou comportamentais; totalizando este ano (2019), precisamente, 27 mil licenças médicas até o mês de agosto. Segundo Candau (2014, p. 34), “Ser professor hoje se vem transformando em uma atividade que desafia sua resistência, saúde e equilíbrio emocional, capacidade de enfrentar conflitos e construir, diariamente, experiências pedagógicas significativas”.

Esse esforço que o professor precisa realizar- no seu cotidiano para encontrar respostas que ultrapassam sua formação e seu emocional- vem desencadeando entre os docentes sinais de esgotamento, no qual muitos acabam desenvolvendo a síndrome de burnout (síndrome da desistência). E, que na voz de Hagemeyer ( 2004, p. 72), traduz-se em “reação à tensão emocional crônica gerada pelo contato direto e excessivo com outros seres humanos preocupados e com problemas. Tal processo de exaustão emocional, despersonalização e desistência da profissão, mesmo em atividade, já está presente nas escolas, ameaçando os objetivos da função docente e da própria educação escolar”.

Diante de dados tão inquietantes, existem professores que resistem, mantendo uma chama de luta, persistência e vontade de mudança. Diante dessa magnitude, percebe-se que a profissão docente necessita de suporte e reconhecimento. Em pesquisa realizada por Hagemeyer (2004), a qual buscou analisar as questões presentes nas tensões vividas pelos docentes, no processo pedagógico (curricular), analisando, dessa forma, os reflexos do pensamento moderno e pós-moderno na trajetória docente, constatou que- do grupo de professores pesquisados- uma parte está aberta a mudanças; e outro, embora preocupado com propostas novas, desenvolve o trabalho docente da forma como aprenderam. Nota-se que- mesmo com as mudanças que vêm- ocorrendo na sociedade, nas últimas décadas, o paradigma conservador ainda é predominante. Indubitavelmente, isso se deve à falta de diálogo, tempo e decisões verticalizadas. Os professores que inovam apontam insuficiência no conhecimento encontrado nos livros, buscando outros canais de informação, como: a mídia, descobertas científicas, entre outros; desenvolvendo, assim, um olhar mais diversificado em sua prática pedagógica.

Destarte, o professor na contemporaneidade precisa ter resiliência no enfrentamento das questões políticas, sociais e cultural, a fim de se tornar um intelectual crítico (GIROX, 1997). É relevante uma gama de saberes para redimensionar o seu trabalho, a fim de que o aluno, efetivamente, aprenda, como também, tenha a compreensão da rápida transformação do alunado e do conhecimento.

LILIAN MEDEIROS
Palestrante