Como manter os planos de importação ou exportação da sua empresa em meio às oscilações cambiais?

Como manter os planos de importação ou exportação da sua empresa em meio às oscilações cambiais?

Autora: Palestrante Renata Dunck

Uma das principais dúvidas dos nossos clientes gira em torno do câmbio. Infelizmente, aqui no Brasil, as empresas ainda estão muito habituadas a fazer avaliações das suas operações partindo desse principal ponto.

Não que ele seja desprezível, mas certamente é apenas um, de muitos outros que levam uma operação de importação ou exportação se tornarem viáveis.

Aos mais conservadores, existem operações de trava cambial, que embora custem parte da lucratividade do exportador/importador, garantem a não flutuação do custo final projetado, seja na venda, seja na compra.

Um outro ponto de vista, mais natural e comum, é de que o mercado se ajusta às novas realidades cambiais.

Por exemplo em uma venda ao exterior: o exportador projeta trabalhar com dólar na casa dos 3,80, entretanto, em um mês, a moeda cai para 1,00. Embora seja quase impossível essa oscilação, vamos imaginar que ocorra e que a cabeça do empresário tenha exatamente esse receio. Logo ele pensará: terei um prejuízo enorme!!! Mas não. Pelas políticas do comércio internacional, essa é uma situação que justificaria causa para fim de contrato. Portanto, o exportador pode propor um ajuste no preço ou ainda, alegar fato de força maior ao comprador. Em um primeiro momento, pode-se propor apenas o adiamento do embarque, mas se a situação se configurar por mais tempo, pode-se alegar prejuízos enormes e impossibilidade de performance.

E no caso da importação? Pensemos que quem importa, usa seus produtos como componente de produção ou para revenda.

Em sendo para componente de produção, infelizmente quem pagará a conta sempre, é o consumidor final, que quando enxergar na gôndola um preço maior, pode ter receio de comprar, mas que os preços se mantiverem, não terá outra possibilidade que a não a de comprar com o novo patamar de valores.

Ah, mas se o importado sofrer concorrência com o produto nacional? O importador deixará de ser competitivo pelo fator dólar e com isso, fechará as portas? Calma… aqui no Brasil, dificilmente os produtores nacionais perdem a oportunidade de acompanhar os aumentos do importado. Mas será?

É simples imaginar que: um produto importado custa R$ 10 considerando um dólar de 3,75. No entanto, agora com o dólar a 4, esse mesmo produto poderia chegar nas gôndolas por R$ 10,65 (6,5% de aumento). Enquanto que o nacional custa seus R$ 10. Por quanto tempo vocês acreditam que o nacional manteria esse valor sem reajuste? Quando a concorrência sai de cena, o mercado fica naturalmente mais leonino.

E tudo isso, apenas para dizer que historicamente, o Brasil sempre se ajustou às muitas oscilações cambiais e é tudo uma questão de acomodação dos mercados.

Não pare seus projetos de importação ou exportação com receios sobre câmbio. Estude seu mercado, encontre as lacunas, se posicione, melhore suas negociações internacionais, trabalhe com fornecedores e compradores que tenham volumes interessantes para oferecer ou comprar, negocie sua logística, aproveite todos os incentivos fiscais que o Brasil oferece tanto na importação quanto na exportação e SIGA!

Tradicionalmente o Brasil é muito fraco no comércio exterior e boa parte disso tem uma explicação bastante simplória: falta de cultura, falta de planejamento, receio do empresário por um assunto que ele pouco domina. E pouco domina porque não se dedica ao aprofundamento das questões.

Países com representatividade no comércio internacional são mais evoluídos. E saber lidar com o câmbio com maestria é talvez um dos principais segredos do sucesso!

RENATA DUNCK
Especialista em Comércio Exterior e Palestrante