Com quantos paus se constrói uma casa?

Com quantos paus se constrói uma casa?

Autora: Palestrante Rosa De Gaetano

Finalmente a minha mudança estava pela primeira vez, em 20 anos indo para a minha primeira casa própria. Mas não era só a primeira casa própria. Ela representava também a minha superação de obstáculos. Para você leitor entender isso, tenho que remontar ao ano de 1995 quando resolvi deixar meu primeiro lar com meus pais para me casar. Foi um destrambelhamento porque pela primeira vez eu estava saindo definitivamente de casa. Hoje analisando creio que na época foi o único caminho que encontrei para ter um pouco de paz em 25 anos, pois até ali tinha tido até uma vida segura e divertida. Mas não em paz. Meus pais tinham seus problemas como todos os pais tem. Então tinha levado até ali uma vida de estudos e diversão, com bailes de fim de semana, clube de fim de semana e praia nas férias.

Jamais poderia me queixar de meus pais. Minha mãe sempre auxiliou a vizinhança e os necessitados. Meu pai também e ensinou-me a gostar de esportes. Ele Adorava desmontar o carro e nunca o vi levando o carro no mecânico para qualquer coisa que necessitasse. Ele mesmo desmontava e montava nas horas vagas. Era seu hobby além do futebol é claro. Mas eu tinha que construir a minha família. A minha vida. Quando moramos com nossos pais as coisas são compartilhadas, mas não é a nossa casa ainda, não a que sustentamos e nem é ainda o local onde nós é que determinamos as coisas. Mas é a casa dos Pais.

Então, seguindo a vida me casei, mas meu ex-marido queria tentar tocar em orquestra em outra cidade. E assim nos mudamos para o Nordeste para uma orquestra onde Eleazar de Carvalho regia. Consegui entrar na universidade lá na área de música para me formar em piano. Mas descobri que poderia realizar meu sonho e estudar percussão. Assim que descobri isso, tratei logo de fazer uma adaptação para o curso superior de percussão e foi uma maravilha. Eu sempre estive as voltas com pandeiros, surdos. Eu adorava tocar surdo (para quem não conhece é um tambor grave usado muito em samba). Apesar de ter que lutar contra meus antigos professores de piano e meu companheiro na época, que era contra a minha mudança, mesmo assim fui atrás do meu sonho. Quando amamos o que fazemos dificilmente alguém nos mudará a rota.

E assim acabei me divorciando, bem mais tarde por compreender que estava casada por outros motivos. O primeiro era apoio para sair de casa e o segundo segurança de ter onde morar. Quando me divorciei já tinha voltado para São Paulo formada e com experiência de 6 anos em orquestra. Eu nunca gostei de ficar parada. Acho que em tudo podemos aproveitar para produzir. Mas financeiramente eu estava, além de sozinha, ainda sem nenhuma segurança material. Era quase surrealista acreditar que daria a volta por cima. Nessa época materializei o divórcio e como havia casado com separação total de bens, estava falida. Apenas com meus instrumentos, uma bateria e um teclado e as roupas do corpo. Foi um período bem difícil, pois para poder voltar para perto de familiares e meu núcleo tive que deixar de lado um trabalho que consegui por concurso em uma Orquestra. Porém, esse trabalho só me sustentava pela metade. E num local onde a economia é mais transitória do que no Sudeste.

Chegando então nesta cidade onde ainda resido, divorciada e sem apelar para direitos judiciais porque eu os tinha, resolvi mudar meu mindset com livros de autoajuda. Comecei a fortalecer minha mente com pensamentos que não davam brecha para as perdas. Replicar o que acontece de mau só vai fazer com que nos emaranhemos em nossa própria teia de negativismo. E eu sabia que tinha que sair disso. Acabar com a teia que me levava para baixo. Tinha a plena lucidez de que jamais casaria novamente apenas por não ter como morar só. E assim fui construindo pensamentos de autoconfiança e em 6 anos eu já estava com minha primeira casa construída, mas não finalizada. Ainda faltava o reboque e o acabamento, mas lembro que quando adentrei a casa com minha mudança, começava ali um novo ciclo de vida e de reconstrução, onde tudo seria possível. Mas isso já é assunto para outro texto, uma palestra e um livro. Espero encontrar você nela.

Grande abraço e até lá!

ROSA DE GAETANO
Coach e Palestrante