Chegamos até Aqui

Chegamos até Aqui

Autor: Palestrante Nuno Cobra

Dos 20 aos 30 anos, a pessoa está nesse impacto da vida, no início das coisas, aonde ela busca as estruturas, e é um momento dos mais significativos para que ela possa estruturar seus hábitos de vida, é onde ela vai compor uma forma de viver que vai durar pela vida toda. É um momento muito importante, onde a pessoa deve buscar colocar-se dentro de sua própria vida! É uma fase fantástica! É um momento mágico, fantástico, da plenitude, da juventude máxima! Essa coisa estarrecedora da nossa sociedade onde as pessoas se aposentam muito cedo e acham que a felicidade está em não fazer nada, em não trabalhar, uma visão muito caótica sobre o trabalho.

A gente não deve trabalhar em algo que não gostamos, mas devemos buscar algo que gostamos e nos envolvermos com isso. Com o passar da idade não há necessidade de ter um trabalho tão forte, mas ter alguma coisa para aprender uma obrigação, uma responsabilidade, algo que nos realize e nos faça sentir bem, porque isso é muito importante, é comum ver pessoas de 50 anos bastante acabadas, numa situação de entrega, e quanto mais ela fica parada, mais ela vai ficando com mais dificuldade em fazer movimento, mais encarquilhada, mais atrofiada, e nota-se mesmo que uma estarrecedora maioria tirou o movimento de suas vidas, o movimento físico e mental, pois não estão envolvidas em nenhum desafio, em nenhuma atividade, tentando superar algum obstáculo, mas sim achando que a vida já acabou. O movimento faz toda a diferença, aos poucos, de maneira agradável e gradativa, suavemente, irá trazer toda a jovialidade de volta.

A pessoa aos 40 anos passa por aquele momento dramático, porque ela percebe que não é mais uma criança, já se percebe os reflexos do que foi feito aos 20 anos, as oportunidades que passaram, o quanto ela lidou mal com a vida, o quanto se deixou de aproveitar momentos preciosos, atormentada pela ganância, por essa exigência do mercado, a se dar cada vez mais para o trabalho, a produzir cada vez mais, a se envolver cada vez mais com sua profissão, muitas vezes esquecendo da família, dos amigos e o mais importante: esquecendo-se dela!

Os 40 anos é um momento trágico porque cai uma porção de fichas, vamos dizer assim, e a pessoa se dá conta de que passou muito rápido dos 20 aos 40 e ela aos 40 se contempla como uma pessoa insatisfeita, pois não conseguiu coisas que pretendia, que seriam coisas materiais, uma vida com mais tranquilidade econômica, mais reservas, e que ela pudesse ter uma vida menos exigente profissionalmente. E ela se dá conta também, pelo lado espiritual, que ela está se aproximando de uma etapa decisiva da vida dela, aonde ela irá enfrentar uma situação em que começa de certa forma uma descida mais que culturalmente, então de maneira cultural, da nossa cultura, começa a descida da montanha.

O que eu gostaria de deixar bem claro para o leitor é que não existe descida nenhuma, é um momento de glória, porque a pessoa está em condições excepcionais de magnificência de vida, e que os 40 anos trazem mais benefícios do que malefícios, pois é quando se tem mais experiência, já errou o suficiente para aprender muito e se pode fazer uma abordagem da vida mais magnífica ainda do que aos 20, porque a pessoa torna-se mais encorpada e está mais incorporada para lidar com a vida de maneira mais correta, aproveitando mais os momentos.

O que deve-se entender, é que nesses 40 anos, ao invés de começar essa descida do caminho, há ainda uma subida muito grande, em que ela pode conseguir materializar muitas coisas extraordinárias, é praticamente um novo nascer, é o nascedouro da vida, pois a pessoa incorporada pela experiência e com o corpo em absoluta plenitude, ela pode fazer todas as coisas no aspecto físico que ela fez ou faria com 20 anos, então ela está num momento em que, cientificamente falando, está num equilíbrio metabólico extraordinário ainda, o aspecto anabólico e o aspecto catabólico que rege a vida da pessoa, (o anabólico é adquirir, metabolizar, crescer, desenvolver novos músculos, nova plenitude cardiovascular e o catabólico ainda não está pronunciado sobre o anabólico, pois o catabólico é a perda, a destruição, a derrocada do corpo) ainda está em pleno equilíbrio.

Não é à toa, que as pessoas por volta dos 40, 50 anos conseguem resultados extraordinários, como inclusive vimos nas Olimpíadas, uma nadadora de 41 anos subiu ao podium! E a natação é um esporte que exige demais do corpo humano, do físico, da resistência cardiovascular, da força!

Nós temos ainda hoje um respeito pesado sobre a idade cronológica e isso ficou marcado de uma maneira muito negativa no século passado e ainda atinge o começo deste novo século, colocando as pessoas com uma carga muito pesada nos ombros com o passar dos anos. Hoje está havendo uma pequena modificação nisso, há dez, doze anos atrás, uma pessoa de 40 anos já começava a dar uma descida no campo profissional e no campo esportivo a descida começava aos 30 anos. Quando o atleta completava 30 anos, que significa que ele estava atingindo o apogeu emocional da melhoria da sua performance, ele já começava a pensar na sua aposentadoria, em encerrar o trabalho competitivo, deixando o esporte justamente no melhor momento dele, que é os 30 anos, onde se atinge o máximo.

Ainda hoje é difícil mostrar ao atleta que aos 40 anos ele rende igual aos 20 anos, porque ele não atingiu ainda a fase catabólica do processo metabólico, ele está em equilíbrio metabólico. O anabolismo e catabolismo está se dando de maneira exata de quando ele tinha 20 anos, então não existe o porquê, cientificamente falando, da pessoa com 40 anos achar que ela não vai atingir mais a performance que ela tinha aos 20 anos, acrescido de que aos 40, ela está ainda mais amadurecida que aos 30 anos, com melhores condições emocionais para um melhor rendimento. No aspecto profissional, nas empresas, as coisas não ocorrem diferente, os 40 anos não é mais essa idade em que se começa o declínio, temos que entender que os 40 anos é idade de ouro, é a plenitude máxima da vida, é onde ele une todas as condições físicas de uma pessoa de 20 já com crescimento emocional extremamente diferenciado do que uma pessoa de 20 anos, muito mais amadurecido, muito mais consciente, com muito mais experiência.

Os 40 anos é uma idade maravilhosa, pois é aquele momento em que a pessoa encontra-se no seu auge físico, mental e emocional, dando à ela condições ímpares de galgar postos mais elevados, de crescer em todos os seus sentidos, tanto na vida particular como na profissional e de estar no seu maior rendimento, inclusive no aspecto sexual, pois muitas pessoas acham que chegando aos 40, não se tem o mesmo desempenho, já se atingiu uma idade em que a sociedade colocou como uma idade onde a pessoa inicia esse declínio; pelo contrário, é a idade em que ela vai dar um salto de produtividade, um salto de desempenho, melhorando muito sua performance, física, esportiva, cultural, social e seu desempenho profissional, porque aos 40, a vida abre para a pessoa, ela está muito mais em equilíbrio do que a pessoa de 20, ela dá muito mais valor para o momento está vivendo, até porque passa-se com muita rapidez pelos 20, 30 e não se degustou muito os prazeres que a vida oferece na sua eloquente qualidade, absorvendo com mais detalhes o momento presente, valorizando mais a vida, percebendo mais as coisas, começando a ver mais o que a maioria das pessoas vê pouco. É uma idade de muita plenitude, de muita conquista, onde começa a sabedoria que é totalmente diferente do conhecimento.

Fonte: http://www.nunocobra.com.br

NUNO COBRA
Preparador Físico e Palestrante