Agradecer, Agradecendo!

Agradecer, Agradecendo!

Autora: Palestrante Cidinha D’Agostino

Que a palavra Gratidão, antes pouco utilizada, ganhou espaço no vocabulário dos brasileiros nos últimos anos não é novidade para ninguém. Uma simples busca pelo termo #gratidão no Instagram já traz mais de 20 milhões de resultados. Ouvimos e publicamos tanto que muitas vezes não nos atentamos para o real significado dessa palavra tão especial.

A princípio, é necessário que entendamos um pouco sobre as manobras da mente para que façamos melhor uso dessa que é uma das mais ricas virtudes: ser grato. Todo pensamento é criado pelo consciente, que é vinculado a uma imagem. Toda palavra tem também uma imagem de origem. Pensamentos e falas frequentes são enviados ao nosso inconsciente, que desempenha a função de reproduzir essas imagens em acontecimentos na nossa vida. Assim, o consciente cria as imagens e o inconsciente as realiza.

Além disso, toda ação tem uma reação contrária com a mesma intensidade. E, se tudo o que enviamos ao nosso inconsciente nos é igualmente retribuído, ao observarmos falhas em qualquer um dos segmentos de nossa vida, podemos identificar que é porque, de alguma forma, existem imagens erradas em nossa mente.

Mesmo que gratos, eventualmente nos pegamos tristes, com medo e raivosos. E, se estamos envolvidos com mágoa, decepção e rancor, estamos criando e vibrando com nossos sentimentos essas imagens e as reproduzindo em nossa vida. Isso acontece porque todo sentimento ruim tem origem na ideia de ingratidão, pois toda vez que algum desses sentimentos aflora é porque imaginamos que alguém ou algo foi ingrato conosco e ficamos vinculados à suposta ingratidão do externo. Mas, se estamos envolvidos com a gratidão, certamente criaremos mais acontecimentos bons para nós.

Assim, se imaginarmos que toda palavra tem uma imagem, notaremos que nós, brasileiros, fazemos uso impróprio da palavra gratidão, uma vez que em seu lugar usamos a palavra obrigado. Obrigação é imposição ou sujeição, e nunca um agradecimento. Consequentemente, existem registros diferentes em nossa mente para cada uma dessas palavras. Conseguimos dizer obrigado depois de recebermos um favor, mas não conseguimos verbalizar esse favor dizendo, “Eu obrigo tal pessoa pelo favor que me fez”, e sim, “Eu agradeço tal pessoa pelo favor que me fez”. Isso mostra que a palavra “obrigado” não foi transferida para agradecido, simplesmente ela está sendo usada em seu lugar e com uma conotação negativa, pois a imagem que fazemos em nossa mente quando a falamos, mesmo que não percebamos, é de obrigação.

Já a palavra Graça é acontecimento bom vindo de Deus, é o reconhecimento por tudo quanto se recebe ou se dá e não tem o vínculo com obrigações, dívidas ou amarrações, apenas gratuidade. Uma vez que somos criadores da nossa realidade, tudo quanto nos envolvemos, criamos mais para nós.

Portanto, é conveniente observarmos as ações do nosso cotidiano e verificar se não estamos agindo mecanicamente com reclamações inúteis, nos preocupando demasiadamente com o futuro ou lamentando o passado, pois comumente agradecemos pouco o muito que temos e nos envolvemos muito com o que entendemos como falta. Pessoas gratas são mais felizes, elas sabem vivenciar o agora como uma graça e valorizar o que possuem: família, moradia, amigos, saúde, trabalho e tudo o mais. Automaticamente, criam em abundância tudo aquilo que focam de bom.

Agradecer é uma arte. E além de reconhecer a importância do outro em nossa vida, é ter a capacidade de manifestar gratidão por tudo o que somos e temos, independentemente da realidade em que vivemos, para assim, fazermos as mudanças que almejamos, pois em tudo o que colocamos gratidão cresce e melhora.

CIDINHA D’AGOSTINO
Psicoterapeuta Holística, Terapeuta Emocional e Palestrante