A Timidez é um castigo?

A Timidez é um castigo?

Autor: Palestrante Luciano Fachel

Você sabia que a timidez não é característica de personalidade, e que na verdade, a timidez é causada por algum trauma na infância ou na juventude, e que ela pode ser enfrentada e controlada?

Estudos nos mostram que uma das várias características da personalidade humana é, por exemplo, se a pessoa é introvertida ou extrovertida. Uma pessoa pode ser introvertida e não ter problemas graves com a timidez, ou seja, ela pode se relacionar com as outras pessoas, mas não gosta de chamar muita atenção para si e vive bem com isso.

As pessoas extrovertidas, ao contrário, geralmente gostam de chamar a atenção, adoram um palco e lugares com muita gente em volta. Mas nós vamos falar sobre essas características num próximo artigo.

A pessoa tímida, em geral, se sente confortável em duas situações: no seu ambiente familiar ou, se estiver em lugares públicos ou em eventos sociais, junto a pequenos grupos de conhecidos. Ela jamais fala em grupos grandes e tem muita dificuldade de conversar com pessoas desconhecidas. O desconforto é tão grande que é conhecida a história de que muita gente, mas muita gente mesmo, tem mais medo de falar em público do que medo de morrer. Se você é uma destas pessoas, continue lendo este artigo. Com a minha experiência, eu posso lhe ajudar a encontrar um caminho.

Eu era uma pessoa muito tímida. Eu era tão tímido (um parêntese: ainda sou tímido, apenas aprendi a enfrentar e a controlar a timidez). Bom, eu era tão tímido, mas tão tímido, que tive muita dificuldade na juventude com relacionamentos amorosos, dificuldade na escola e na universidade, e dificuldade no trabalho. Perdi muitas oportunidades profissionais, tanto nas entrevistas de emprego quanto nas promoções no próprio ambiente de trabalho.

Desde cedo ouvia falar que fazer um curso de teatro me ajudaria a vencer a timidez, mas cadê a coragem para tomar a iniciativa e fazer um curso destes? Quando tinha 17 anos, ainda no ensino médio, fui convidado a participar dos ensaios de uma peça de teatro amador numa famosa escola de línguas no Rio de Janeiro. Compareci a meia dúzia de ensaios e estava gostando muito, mas por falta de apoio familiar, acabei desistindo dos ensaios e abandonei o grupo. Meses depois fui assistir à única apresentação da peça e fiquei muito arrependido por não estar naquele palco.

Vinte e nove anos depois, já morando aqui em Brasília, fui estudar e trabalhar como voluntário em uma conhecida instituição religiosa. Essa respeitável instituição oferece vários cursos gratuitos de formação na sua doutrina, e durante estes cursos os alunos são convidados a participar de apresentações teatrais amadoras que abordam assuntos divulgados em livros que são de chamados de obras complementares. Fui então convidado a participar de uma dessas apresentações como um dos atores coadjuvantes.

Nesta peça, que durava cerca de 45 minutos, atuei como um velhinho rabugento que era o patriarca da família, e entrei no palco somente na última cena. Esta parte final da peça é um diálogo entre o avô e sua neta, sentados em um banco num dos extremos do palco. Eu tinha 17 frases que decorei pela visualização das palavras. Para não encarar o público, fingia que não enxergava direito e cerrava as pálpebras, vendo somente vultos à minha frente. No final da cena, minha neta me convidava para tomarmos um lanche, junto à toda a família que nos aguardava do outro lado do palco, em volta de uma mesa bem farta. Levanto e, de braços dados com a netinha, atravesso todo o palco. No meio da travessia, paro, abro bem os olhos para a plateia, e pergunto: -“Nossa, quanta gente! Eu vou ter que pagar o lanche pra todo mundo?” O público desabou numa gargalhada, mas nunca percebeu que eu estava completamente apavorado.

Assim venci meu primeiro desafio de falar em público. Depois dessa peça participei de mais seis apresentações de outras obras, e ainda de uma peça musical, mas isso é tema para outro artigo.

Aqui vai minha primeira dica para enfrentar a timidez: se este problema realmente incomoda você, procure um profissional da saúde, um terapeuta, psicólogo ou psiquiatra, pois eles vão lhe orientar e ajudar a identificar o seu problema.

Agora a segunda dica: procure um bom curso de teatro. Aqui em Brasília, por exemplo, existe uma Cia. de teatro infantil famosa pelas suas apresentações na Escola Parque da 308 Sul. Ela oferece cursos para crianças (a partir dos 4 anos), para jovens e adultos. Muitos dos alunos formados são indicados por terapeutas, para melhorar sua desinibição, improvisação, consciência corporal e vocal e atividades em grupo.

Mas toda a ação só depende de você, se quiser resolver. E para isso, será necessário sair da zona de conforto, e isso, obviamente, significa que no início será bem desconfortável, e você vai querer desistir. Somente a sua vontade vai determinar se você vai conseguir ou não.

LUCIANO FACHEL
Turismólogo e Palestrante