A Escola no Processo da Inclusão

A Escola no Processo da Inclusão

Autora: Palestrante Lilian Medeiros

Na atualidade, a escola precisa atender a todos em suas especificidades. E, nesse sentido, precisa estar instrumentalizada com professores, equipes pedagógicas e gestores, capacitados, por meio de: formação continuada, pesquisa – em uma relação entre teoria e prática – e trabalho coletivo, para, assim, conduzir o aluno a construir uma aprendizagem significativa, a fim de que, além da reconstrução do conhecimento, os alunos possam refletir, criticamente, sobre as implicações políticas que este conhecimento poderá estar gerando. (APPLE, 1987, GIROUX, 1989; TORRES, 1991). Assim, os alunos precisam analisar questões, como: discriminações, diferenças, questionamentos da injustiça, relações sociais de desigualdade e submissão do seu próprio cotidiano. Dessa maneira, estarão preparados para intervir na sociedade de forma responsável e solidária e, ao mesmo tempo, aprendem a conviver e fazer parte, ativamente, da inclusão escolar.

A inclusão escolar pressupõe a compreensão de que todas as crianças são únicas nas suas especificidades, cujas diferenças individuais operam como elementos motivacionais para o ensino e aprendizagem, tendo em vista que aprendemos, também, com os pares. E, nessa perspectiva, a inclusão oferece benefícios para todos os alunos, como apontam Vandercook (1988) apud Stainback e Stainback (1999, p. 22) “nas salas de aula integradas, todas as crianças enriquecem-se por terem a oportunidade de aprender umas com as outras […] conquistam as atitudes, as habilidades e os valores necessários para nossas comunidades apoiarem a inclusão de todos os cidadãos”. Então, indaga-se: de que maneira as escolas podem tornar-se inclusivas?

Como apontam Stainback e Stainback (1999), há dez passos para as escolas se tornarem, verdadeiramente, inclusivas, que serão explanados a seguir:

1º passo

Desenvolvimento de uma filosofia comum e planejamento estratégico. A escola precisa desenvolver uma filosofia que se baseia na democracia e na inserção de uma educação de qualidade para todos. E, para isso, precisa abranger três elementos do desenvolvimento do aluno: o acadêmico; o social e emocional e a responsabilidade individual e coletiva – os quais se traduzem na formação de um grupo ou “força tarefa” para auxiliar as pessoas na compreensão da escola inclusiva e dos benefícios para todos.

2º passo

Liderança forte: o gestor tem um papel decisivo na condução da escola inclusiva, proporcionando quatro situações para efetivá-la: 1- formação continuada aos professores, que precisa partir de suas necessidades – como apontam Vaillant e Carlos Marcelo (2012), o adulto aprende partindo de sua necessidade. Portanto, para mudar a prática nas escolas, para que, assim, tornem-se, verdadeiramente, inclusivas, é imprescindível uma formação continuada com uma sustentação teórico-prática – que leve em consideração a necessidade cotidiana e a experiência do professor -, pois quando os docentes têm consciência dos motivos e benefícios que a formação continuada poderá estar proporcionando aos alunos, à escola, à sociedade e ao seu desenvolvimento profissional, a teoria se efetiva na prática e no processo de ensino aprendizagem.

E, consequentemente, em conjunto com os saberes dos professores, acarreta um bônus na aquisição de ganhos na aprendizagem dos alunos. 2- Incentivar o relacionamento interpessoal entre todos os alunos da escola. 3- Auxiliar os professores a desenvolver uma concepção de disciplina, tendo em vista que os alunos inclusos precisam compreender que não podem fazer tudo o que desejam; entendendo, assim, que limites são necessários para uma convivência sadia entre todos. 4- Ajudar a escola a ser acolhedora, buscando manter a unidade entre seus membros.

3º passo

Promoção de culturas que acolham e acomodem a diversidade. Convém pontuar que a escola reflete aspectos, valores e práticas culturais sociais positivas, ou negativas. Nesse viés, é seu papel buscar melhorar os pontos negativos que adentram seus muros – por meio de currículos que contemplem a diversidade – criando uma cultura inclusiva na escola entre todos os envolvidos, como apontam Stainback e Stainback (1999, 73), “uma cultura na escola que seja penetrante, que comunique clara, pública e intencionalmente sua filosofia”. Para educar a criança como um todo, é preciso que se cuide das necessidades de aceitação, de inserção e de amizades dos alunos.

4º passo

Desenvolver redes de apoio: as redes de apoio estimulam e oferecem assistência a professores e alunos, podendo ser constituídas por duas ou mais pessoas, como: gestores, pedagogos, pais, professores, psicólogos, psicopedagogos, entre outros. Um exemplo de equipe de apoio são as equipes de encaminhamento e avaliação de educação especial das Secretarias de Educação. Muitas escolas têm a possibilidade de ter nas salas de aula um facilitador de inclusão que auxiliará o aluno com deficiência, oferecendo apoio sem serem superprotetores.

Atualmente, na esfera pública, as classes multifuncionais – com profissionais capacitados em educação especial – podem auxiliar o professor que apresente em sua classe alunos com deficiência, disponibilizando fundamentação teórica para auxiliar na prática cotidiana; além de apoiar nas mais diversas situações que surgem no decorrer do processo de ensino aprendizagem.

5º passo

Oferecer apoio consistente ao aluno: utilizar processos deliberativos para garantir a responsabilidade, no qual o planejamento precisa ser contínuo, focalizando em seu potencial, e as reuniões da equipe acontecerem regularmente, a fim do apoio ao aluno ser monitorado, pois ao surgirem situações inusitadas, estas já serão sanadas.

6º passo

Flexibilidade: a equipe da escola inclusiva precisa ser flexível, a fim de adaptar os currículos e planejamentos, buscando romper com modelos engessados curriculares que buscam homogeneizar o processo de ensino aprendizagem, pois como aponta Carvalho (1997) apud Mantoan (2001, p. 24,) “para obter êxito, o professor precisa adequar sua intervenção à maneira peculiar de aprender de cada um de seus alunos, em respeito às diferenças individuais e para cumprir a finalidade de intervenção educativa escolar”.

7º passo

Adotar abordagens de ensino efetivas: a educação, no século XXI, requer práticas que envolvem diferentes formas de ensinar, tendo em vista que os alunos apresentam diferentes níveis de desempenho. E, nesse caso, a teoria das Inteligências Múltiplas (Gardner, 1993) sugere que as abordagens de ensino precisam ser adaptadas às potencialidades de cada estudante.

8º passo

Aprender com os desafios e comemorar o sucesso: os pequenos sucessos precisam ser comemorados, a fim de obter incentivo para pesquisar possíveis desafios.

9º passo

Estar inteirado do processo de mudança, não permitindo que ele o paralise: para que o processo de mudança de atitudes ocorra, é necessário orientar os indivíduos a mudarem seu comportamento.

Frente ao exposto, pode-se dizer que, para que nossas escolas se tornem inclusivas, é necessário romper com modelos curriculares engessados e unificados para um currículo flexível. Indubitavelmente, deve-se respeitar o potencial de cada indivíduo, para que o sucesso se torne um “trampolim” para superar novos desafios.

É importante, também, fortalecer o trabalho coletivo e multidisciplinar, com intuito de lançar novos olhares no tocante à diversidade – com práticas significativas para os alunos – a fim de transformar a cultura da escola em um espaço acolhedor.

LILIAN MEDEIROS
Palestrante